Depois de ter o diagnóstico dos médicos neurologistas do hospital São Paulo como sendo uma degeneração cerebelar(afetando a coordenação motora e equilíbrio e enrijecimento muscular com o tempo de vida)

Único remédio dito pelos médicos na época(1974) foi fisioterapia.

Fazia fisioterapia como achava maçante parava um tempo,depois recomeçava.

Já passados alguns anos encontro uma amigo o Mário que fez faculdade comigo e praticava pólo aquático se ele conhecia alguém que poderia me ensinar a nadar,porque estava cansado desse faz e para via na natação algo mais dinâmico.

O William me ligou marcando um teste,fiquei entusiasmado já tinha aprendido a na nadar com 14 anos.

Só esqueci da minha doença que piorava com o tempo de vida,o dia do teste chegou como havia dito que já sabia nadar.

Ele falou mergulha e mostra,quando mergulhei fui pro fundo.

O William me ajudou e pediu calma que iria conseguir.

Apesar das duvidas na cabeça me propus a tentar com garra aquele desafio ao qual parecia difícil.

O William uma pessoa humana competente e determinada vendo a minha dificuldade modificou os métodos pra me ensinar.

O entusiasmo dele me contagiou e com dois anos aprendi a nadar com flutuador e cinco anos já nadava sem flutuador.

Hoje após anos penso ,a dinâmica a qual a natação trouxe a minha vida não só em termos físicos de nadar mais rápido do que andar.

Também num sentido social de estimular as pessoas a tentar vencer seus próprios limites



Quando recomecei a tentar a nadar, aos 27 anos, procurava um exercício mais dinâmico do que a fisioterapia na época.

Minhas dificuldades foram grandes para aprender a nadar.

Meus músculos estavam muito duros, porém, existe algo dentro de mim que nunca me deixa desistir.

Com muito incentivo do William e com minha garra, depois de dois anos de trabalho conseguia nadar com flutuador.

Passados alguns anos, já nadando super bem com o flutuador, Adolfo, um dos sócios do William, na Dholpins, me propôs participar de uma competição de máster, mesmo com flutuador entre as minha pernas para que elas pudessem boiar.

Tive medo e não quis.

Mas a competição não saía da minha cabeça...

Quando já conseguia nadar sem o flutuador, surgiu outra oportunidade, em outra competição e desta vez eu venci o medo e encarei o desafio.

Na piscina do Pinheiros, lotada, lá estava eu diante de pessoas desconhecidas, com medo.

Ao cair na água não houve mais medo.

A única coisa que importava era nadar os 50 m.

Aí, com o sabor da competição, fui em busca da prova para deficientes e encontrei na academia Takeda um trabalho com a Edna, Lia Flávia e Eduardo.

Não tinha muita organização este trabalho, mas havia lá algo muito grande: o amor e o respeito por pessoas com limitações.

A cada semana apareciam caras novas e o amor era o mesmo, não importando a limitação.

As buscas de cada um eram diferentes.

Muitos nem pensavam em competir, buscavam um mínimo de tratamento ou lazer.

A vontade de competir não me abandonava.

Foi em Março de 1991, por causa de uma competição em Curitiba, Lia, Flávia, Edna e Garcez e eu, fundamos o Centro para a Integração do Deficiente Físico (CIEDEF).

Fomos competir em Curitiba, no Regional Sul, com quatro atletas: eu, Dudu, Ricardinho e Dr. Marco Guedes.

Entre sete equipes, o CIEDEF ficou em terceiro lugar no geral.

Voltando a São Paulo, assumi a honra de ser o primeiro presidente do CIEDEF.

Trabalhei para que as oportunidades fossem sempre iguais. Ganhei várias medalhas, mas para mim, a maior gratificação é ser um dos que jogou a semente.